Em Tijuana, Robert Vivar se dedica a apoiar veteranos do Exército dos Estados Unidos que foram deportados para o México. Seu trabalho expõe o impacto das políticas migratórias norte-americanas sobre essas pessoas, muitas das quais se sentem abandonadas pelo país ao qual serviram com afinco.
Por meio do Unified U.S. Deported Veterans Resource Center, Vivar oferece uma variedade de serviços, que incluem assistência legal, cuidados médicos básicos e apoio emocional a veteranos em situação vulnerável após a deportação. A iniciativa não apenas facilita a reintegração dessas pessoas em suas comunidades, mas também busca garantir alternativas para seu retorno aos Estados Unidos, disponibilizando auxílio relacionado à documentação, apoio migratório e busca de emprego.
Uma das ações promovidas por essa organização é a preparação de processos judiciais contra o Departamento de Justiça dos EUA e as empresas que operam centros de detenção geridos pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Essa mobilização surge em decorrência do falecimento recente de Lorenzo Salgado Araujo, um mexicano que faleceu em Houston no mês passado.
Consequências Psicológicas das Deportações
Em uma entrevista para a EFE, Vivar evidenciou o profundo impacto emocional que a deportação tem sobre as famílias envolvidas. Ele comentou sobre como deixar o próprio país após um serviço militar pode ser uma experiência extremamente difícil, frequentemente mal interpretada por aqueles que não vivenciam essa situação. Embora não tenha servido nas Forças Armadas, a deportação de militares é uma questão que o afeta diretamente, uma vez que seu filho e neto têm cidadania americana e estão ativos nas Forças Armadas.
Vivar observou ainda que, além da violência física que pode ocorrer nas operações do ICE, o “terror psicológico” que imigrantes e suas famílias enfrentam gera um sofrimento contínuo e uma profunda incerteza. Ele denunciou, igualmente, as políticas que criminalizam indivíduos que viveram muitos anos nos EUA e que não possuem antecedentes criminais, ressaltando os efeitos prejudiciais das redadas noturnas.
A Crise Migratória na Fronteira
De acordo com Vivar, a situação migratória entre os Estados Unidos e o México já foi mais favorável, sendo que a administração de Donald Trump intensificou a crise que separa famílias na fronteira. Ele recorda momentos em que pessoas podiam tocar as mãos através da cerca que divide os dois países. Após anos de luta legal, Vivar conseguiu regularizar sua situação e obteve cidadania americana em 2021, mas continua a perceber os efeitos da crise migratória nas comunidades.
Apesar dos desafios, Vivar permanece esperançoso em relação à reintegração dos deportados, defendendo que o racismo direcionado a mexicanos se origina das instituições e não do povo americano. O testemunho de Vivar ilustra as complexidades das vidas de milhares de famílias separadas pela fronteira, refletindo uma questão social que continua a desafiar tanto o México quanto os Estados Unidos.
