Atualmente, a bancada do Morena no Senado está debatendo a reformulação das regulamentações referentes às academias militarizadas privadas no México. Essa iniciativa foi impulsionada pela trágica morte da adolescente Dafne Zapata Quintos em um campamento de verão em Tamaulipas.
A presidenta Claudia Sheinbaum enfatizou que a Academia Militarizada Marina Doenitz, onde a fatalidade ocorreu, não tem vínculos com a Secretaria de Defesa Nacional (Sedena), visto que é uma instituição privada.
Além disso, a Secretaria de Educação Pública (SEP) esclareceu que a “educação militarizada” não está autorizada para escolas de educação básica, sendo permitida apenas para instituições associadas às Forças Armadas e à Guarda Nacional, ambas subordinadas à Sedena.
Necessidade de atualização legal
A senadora Guadalupe Chavira de la Rosa, do Morena, informou que o Regulamento para o Funcionamento das Academias Particulares de Tipo Militar será revisado, pois a legislação vigente, com mais de 80 anos, está ultrapassada em relação aos direitos das crianças.
Chavira sublinhou que o caso de Dafne evidenciou a necessidade urgente de reconsiderar as normas que regem essas instituições. A legislação atual permite que a formação militar inicie desde a educação primária até o nível técnico profissional e permite práticas como tiro a partir do ensino secundário.
Essas regras, segundo a senadora, criam situações de abuso e hierarquia entre os estudantes. “A morte de Dafne, que ocorreu em consequência de asfixia submersa, deve nos incitar a refletir e agir. Não é aceitável que essas academias realizem campamentos de verão e apliquem práticas lesivas”, ela afirmou.
Detalhes da morte de Dafne Zapata
Segundo relatos da mãe, Alejandra Quintos, Dafne, aos 13 anos, faleceu enquanto participava de um evento de verão na Academia Militarizada Marina Doenitz, localizada em Ciudad Madero. A investigação promovida pela Fiscalia local está tratando o caso como um potencial feminicídio, e a necropsia indicou que a causa do falecimento foi asfixia por submersão. A mãe suspeita que sua filha tenha sido vítima de tortura e maus-tratos.
Após a repercussão da tragédia, surgiram relatos de ex-alunos e familiares sobre supostas práticas violentas e punições dentro da academia.
Desdobramentos legais e pedidos de justiça
Um juiz decidiu associar à acusação Danna Yanina ‘N’, de 18 anos, que trabalhou como instrutora auxiliar na academia e que se encontra em prisão preventiva em meio às investigações.
Em um apelo por justiça, Alejandra Quintos solicitou à presidenta Claudia Sheinbaum uma aceleração nas investigações e a responsabilização dos que estão envolvidos. “Como mãe, imploro que a senhora faça justiça e olhe para as injustiças ocorrendo. Para mim, isso é um pesadelo”, afirmou, acreditando que outras pessoas possam estar implicadas e reiterando a importância da continuidade das investigações.
Alejandra Quintos, mãe de Dafne Zapata Quintos, adolescente de 13 anos que faleceu na Academia Militar Doenitz de Tamaulipas, pede ajuda para que o caso de sua filha não fique impune pic.twitter.com/NtTWwm8FMM
— El Financiero (@ElFinanciero_Mx) 24 de julho de 2026
