O Uruguai, situado a cerca de 80 milhões de anos no passado, abre um novo capítulo em sua prehistória com a descoberta de uma nova espécie de Mesetasaurus protector, um gigante dos dinossauros. Investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade da República (Udelar) anunciaram a descoberta na última sexta-feira (27).
Intitulado Mesetasaurus, o novo dinossauro foi descrito em um artigo publicado na revista Ameghiniana da Associação Paleontológica Argentina, por uma equipe de paleontólogos composta por Matías Soto, Felipe Montenegro e Daniel Perea. A descrição da nova espécie baseou-se na análise de duas vértebras de cauda que se encontravam em condições excelentes de preservação.
Os fósseis foram descobertos de forma acidental por dois pescadores que enxergaram os restos durante uma escavação na Formação Guichón, nas proximidades da Meseta de Artigas, situada no departamento de Paysandú.
O nome Mesetasaurus presta homenagem tanto à área onde os fósseis foram encontrados quanto ao herói nacional uruguaio José Artigas, uma vez que o local abriga um de seus monumentos. O nome é representativo da geologia local e da avifauna da região, enquanto protector é uma alusão direta ao prócer uruguaio.
Matías Soto, um dos pesquisadores, explicou que o Mesetasaurus protector se insere no grupo dos titanosaurios, que são quadrúpedes herbívoros de pescoço longo, pertencendo à subfamília dos aeolosaurinos. Essa subfamília é reconhecida por suas caudas especializadas que se projetam para frente. Os cientistas estimam que este animal tinha entre 9 e 10 metros de comprimento e se destaca como uma espécie singela, devido a uma peculiar “fossa cega” encontrada em sua vértebra.
A descoberta é um marco importante para a paleontologia no Uruguai, sendo o segundo registro deste grupo de dinossauros no país. Ademais, esses fósseis funcionam como um “relogio geológico”, contribuindo para datação da Formação Guichón, confirmando sua origem no final do período Cretácico.
Por fim, as informações obtidas com essa pesquisa proporcionam conexões entre os ecossistemas pré-históricos do Uruguai e as formações geológicas da Patagônia argentina, como a Formação Allen e Los Alamitos, abrindo espaço para novas investigações sobre a migração e interação da fauna na região sul do continente.
Juan Cristina, decano da Faculdade de Ciências da Udelar, manifestou seu entusiasmo com a descoberta, enfatizando que, além do interessante que são os dinossauros, essas pesquisas são fundamentais para compreender a rica história geológica e o patrimônio natural do Uruguai.
