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Estrategia renovada no Palácio

Na semana passada, o Palácio Nacional iniciou uma estratégia voltada para desviar a atenção da prisão de Ismael Zambada, comandante do Cártel de Sinaloa. O objetivo é transferir as responsabilidades pelas críticas ao governo dos Estados Unidos e atribuir a deterioração das relações a ações desse país.

Fontes diplomáticas indicam que Washington está diretamente empenhado na investigação de políticos mexicanos que mantêm vínculos com o crime organizado. Entre os governadores monitorados pelo Departamento de Justiça estão Marina del Pilar Ávila, de Baja California; Alfonso Durazo, de Sonora; e Américo Villarreal, de Tamaulipas. Embora esses nomes já tenham sido mencionados anteriormente, a administração da ‘4T’ se mostra firme em não se deixar pressionar.

De acordo com funcionários federais, o governo não está exigindo renúncias, mas planeja realizar auditorias que possam forçar os governadores a pedirem licença. A lealdade dos governadores que apoiam o ex-presidente Andrés Manuel López Obrador parece ser mais forte do que a determinação da atual presidente. Nesse contexto, o retorno de Rocha Moya à condição de governador tornou-se um tópico discutido em círculos políticos.

Enquanto a presidente se concentra em questões domésticas, novas informações vindas de Washington estão influenciando sua administração. Recentemente, Héctor de Mauleón, em El Universal, divulgou uma gravação em que a governadora Ávila sugere colaborar com o FBI, oferecendo informações de segurança em troca de proteção contra denúncias, semelhante a um caso anterior envolvendo Rocha Moya.

Essa revelação adiciona uma camada importante ao contexto da infiltração das agências de segurança dos EUA no entorno da governadora. Uma gravação anterior já havia sugerido que Ávila tentava estabelecer negociações com autoridades americanas, apesar de suas negações. A divulgação desses fatos contribui para um clima de medo e paranoia crescente na ‘4T’, aumentando os receios de que mais políticos busquem cooperação com os EUA.

O jornalista Luis Chaparro, no Pie de Nota, já havia fornecido informações sobre a operação que resultou na prisão de Zambada e Joaquín Guzmán López, indicando que o FBI utilizou um avião emprestado para transportar os narcotraficantes. Essa situação gerou uma crise que levou a presidente a culpar o governo de Donald Trump pelas tensões nas relações bilaterais.

O ex-embaixador dos EUA no México, Ken Salazar, se tornou um alvo fácil nessa narrativa. Enquanto a presidente o acusa de engano, Salazar afirma que não houve mentiras, explicando que as informações sobre a operação não foram totalmente confidenciadas a ele, pois o governo dos EUA não confiava em seu julgamento.

No comunicado do Departamento de Justiça sobre a captura de Zambada, Alejandro Mayorkas, na época secretário de Segurança Nacional, ressaltou o trabalho dos agentes norte-americanos na desarticulação de redes de narcotráfico. Fontes em Washington confirmaram que a operação foi conduzida por especialistas do FBI que se dedicam ao Cártel de Sinaloa.

Um relatório de inteligência enviado a López Obrador abordou a captura dos narcotraficantes, revelando que as operações foram realizadas por unidades especializadas no combate ao terrorismo, e que mortes relacionadas à segurança de Rocha Moya ocorreram, incluindo o assassinato do deputado federal Héctor Melesio Cuén.

As evidentes estratégias de intervenção dos EUA motivaram a presidente a considerar novas táticas para transferir a responsabilidade ao governo Trump. Ela limitou a diplomacia e atualmente busca agir por meio de departamentos legais, além de ter tentado, sem sucesso, levar sua defesa de Rocha Moya à Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Consequentemente, a presidente adota uma postura cada vez mais rígida em relação aos Estados Unidos, enfrentando um embate desigual, já que lhe falta a força política necessária para lidar com o que pode ser uma nova ofensiva, especialmente com as acusações contra seus aliados em curso de preparação.