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Eliminación del matrimonio es propuesta de diputada de Morena

A deputada Gabriela Torres, membro do partido Morena, se envolveu em uma controvérsia nas redes sociais após declarar seu desejo de “eliminar instituições como o casamento”, argumentando que essa estrutura tem se mostrado prejudicial às mulheres desde sua origem.

No Facebook, a deputada comentou: “Eu sonhando com que se possam erradicar instituições como o casamento, onde tenho a firme convicção de que é a instituição onde as mulheres saem perdendo desde o momento 1”. Essa declaração gerou uma onda de reações, levando internautas a se posicionarem a favor ou contra suas opiniões. Em meio ao furor dos comentários, Gabriela decidiu limitar as interações em sua publicação.

Após algumas horas, ela voltou a se manifestar, reforçando sua perspectiva e citando suas convicções advindas de uma visão política de esquerda. Segundo ela: “Eu sou uma mulher com pensamentos e convicções com reivindicações de esquerda, seria incoerente pensar de forma diferente… o surpreendente é que aqueles que se dizem de ‘esquerda’ sejam tão conservadores no fundo”.

Até o presente momento, a deputada não delineou quaisquer propostas de reforma legislativa sobre o casamento, tampouco sugeriu que sua declaração estivesse vinculada a uma agenda política formal.

O fenômeno das ‘tradwife’ e o debate sobre o voto feminino

Conhecido como ‘tradwife’, o termo remete a um ideal cultural que idealiza mulheres que adotam estilos de vida baseados em papéis de gênero tradicionais, especialmente nas redes sociais. Nesta tendência, as apoiadoras defendem que o homem deve assumir o papel principal como provedor da casa, enquanto as mulheres cuidam das responsabilidades do lar e da família.

Apesar de muitas participantes alegarem que isso representa uma escolha pessoal, o movimento é frequentemente alvo de críticas por promover valores conservadores que contrapõem os avanços do feminismo.

Recentemente, o conceito ‘tradwife’ teve destaque nos Estados Unidos, quando influenciadoras e ativistas conservadoras passaram a apoiar o voto por lar ou household voting, que propõe que uma única família tenha apenas um voto, definido pelo esposo, insinuando que os cônjuges deveriam compartilhar convicções políticas e religiosas.

A proposta se tornou viral após comentários de Erika Kirk, líder da organização conservadora Turning Point USA (TPUSA), suscitando um debate intenso, uma vez que isso resultaria na perda do direito de voto das mulheres, conquistado há mais de um século.

Questões sobre o ‘household voting’ nos EUA

As mulheres garantiram o direito de voto nos Estados Unidos em 1920, através da ratificação da Décima Nona Emenda da Constituição. Portanto, especialistas e defensores dos direitos civis argumentam que a proposta de household voting representaria um retrocesso em relação à igualdade política e à participação democrática.

Aqueles que apoiam o modelo defendem que o voto familiar promoveria a harmonia conjugal e evitaria desavenças. Algumas figuras do movimento tradwife afirmam que o feminismo causou danos à família tradicional, sugerindo que o líder familiar deveria exercer a autoridade política. Entretanto, críticos apontam que essa visão cria uma hierarquia entre os gêneros, subordinando a voz da esposa à do marido, o que fere o princípio do voto individual e secreto.

Embora a ideia do household voting ainda não tenha sido oficialmente apresentada como uma proposta legislativa nos Estados Unidos, a atual discussão demonstra como certos grupos conservadores estão questionando direitos considerados inalienáveis, suscitando preocupações acerca de retrocessos em conquistas históricas, como o direito das mulheres ao voto.