A relação entre os Estados Unidos e o México está passando por um de seus períodos mais desafiadores, especialmente no que se refere à segurança, conforme análise de Eunice Rendón, especialista em segurança nas fronteiras. Durante sua participação no programa La Silla Roja veiculado por El Financiero Bloomberg, ela observou que, apesar de um aparente avanço nas relações institucionais com a atual administração, os problemas permanecem evidentes.
Rendón destacou que, mesmo com a reconhecida presença da presidenta Claudia Sheinbaum nas conversas, os EUA continuam a identificar os cárteles de drogas como uma grande ameaça no México. Ela criticou a postura dos Estados Unidos, argumentando que a administração americana não só se associa ao tráfico de fentanilo, mas também carrega a responsabilidade pelo fortalecimento de políticos corruptos dentro do governo mexicano.
Demandas e Responsabilidades
A especialista observou uma evolução no discurso da presidenta após o pedido de detenção do governador de Sinaloa, Rubén Rocha, juntamente com outros nove funcionários, devido às suas supostas ligações com o crime organizado. Essa mudança na postura da presidenta, que era anteriormente mais cautelosa, gerou apreensão em círculos políticos, especialmente com a possibilidade de declarações de narcotraficantes como ‘Los Chapitos’, que podem expor ligações entre políticos e o narcotráfico.
“No México, a conexão entre a corrupção política e o tráfico de drogas é evidente”, ressaltou Rendón ao mencionar o caso de Genaro García Luna, cujas condenações foram fundamentadas em depoimentos de mafiosos. Ela expressou receio com a possibilidade de o governo dos Estados Unidos tomar medidas unilaterais, lembrando as estratégias implementadas durante a gestão de Donald Trump.
Tensões na Diplomacia
Recentemente, o ex-embaixador dos EUA no México, Ken Salazar, gerou polêmica ao sugerir a extração do narcotraficante Ismael ‘El Mayo’ Zambada, levantando dúvidas sobre a legitimidade das operações americanas no território mexicano. Rendón qualificou essa abordagem como uma violação da soberania mexicana, complicando ainda mais as relações entre os dois países.
Histórico de Conflitos
Parte dessa crise pode ser atribuída à nova Lei Geral de Segurança, que rapidamente gerou descontentamento nas agências de segurança dos EUA, como o FBI e a DEA, que tradicionalmente colaboravam com o México. Essa nova regulamentação provocou um crescente descontentamento em Washington.
Por último, ao comentar sobre a mudança no embaixador mexicano, Rendón considerou a substituição necessária, destacando que Roberto Lazzeri, o novo embaixador, se concentra na revisão do Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC), enfatizando a importância de cooperação nas áreas de migração e segurança para enfrentar os complexos desafios atuais.
