A preocupação crescente com a transparência no uso dos recursos destinados às campanhas políticas foi evidenciada pela recente decisão dos conselheiros do INE de adiar mais uma vez a criação de diretrizes para as pré-campanhas. Essa indecisão levanta sérias dúvidas sobre a origem e a destinação dos fundos, especialmente em um cenário onde os gastos podem exceder os limites permitidos para eventos eleitorais.
A intensa propaganda eleitoral já pode ser vista nas ruas de 17 estados que, em 2027, estarão escolhendo novos governadores. Muros preenchidos com grafites, outdoors, ampla publicidade impressa, redes sociais saturadas de mensagens políticas, além de diversos comícios e reuniões abertas, têm sido organizados para promover os possíveis candidatos. Entretanto, a alegação de que essas ações se referem a processos internos para seleção de coordenadores é considerada enganosa; na realidade, isso configura pré-campanhas antecipadas com foco na escolha de candidatos.
Apesar da clara evidência dessas atividades, os conselheiros do INE mantêm uma postura passiva, sem regulamentar ou supervisionar os recursos utilizadas nas campanhas correntes. Embora a responsabilidade de supervisionar as governaturas caia sobre os órgãos eleitorais estaduais, a fiscalização dos recursos de partidos e candidatos encontra-se sob a alçada centralizada do INE. Esta entidade tem a incumbência de auditar as finanças dos partidos, além de investigar a origem e o uso dos recursos disponíveis.
Como entidades de interesse público financiadas pelo Estado, os partidos políticos são obrigados a serem transparentes perante a sociedade, devendo esclarecer a origem dos recursos que sustentam suas atividades e cobrem os custos das campanhas eleitorais. Diante da recusa do INE em estabelecer diretrizes que já se tornam obsoletas, o grupo Somos México propõe que todas as forças políticas se disponham a uma auditoria rigorosa sobre a origem e o uso de seus recursos financeiros. Para tanto, sugere a formação de uma comissão de especialistas independentes em contabilidade e auditoria, sem vínculos a partidos ou entidades públicas, com o objetivo de investigar as informações financeiras e esclarecer as dúvidas sobre os recursos usados nas campanhas públicas e nas redes sociais.
A democracia no México está enfrentando um desafio crucial: assegurar que as campanhas e os candidatos não estejam sob a influência de recursos ilícitos, em especial os provenientes do crime organizado. A inércia dos órgãos responsáveis pela fiscalização levanta preocupações acerca da legitimidade dos processos eleitorais. Caso o partido dominante e suas candidaturas tenham realmente uma vocação democrática, é essencial que adotem uma postura de abertura quanto às suas contas e garantam a transparência dos recursos, cumprindo essa obrigação pública como um dever e não como um favor.
