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Acotando a incerteza

No dia 1º de julho, os Estados Unidos optaram por não renovar o Tratado México-Estados Unidos-Canadá (T-MEC) por mais 16 anos, mantendo-o em vigor até 2036 e implementando revisões anuais. Essa decisão não apenas dissipou dúvidas, mas também trouxe clareza à situação, eliminando especulações sobre a possível extinção do tratado.

As reações de investidores e empresas, já acostumados com a incerteza, foram tranquilas diante do anúncio, o que se refletiu na estabilidade dos mercados. O ministro das Relações Exteriores do México, Marcelo Ebrard, observou que os indicadores financeiros já levavam em conta as revisões anuais antes da reunião trilateral. Analistas esperavam essa decisão, considerando o histórico da administração Trump, ao invés de uma extensão clean.

Com as regras estabelecidas, é essencial que as futuras negociações busquem uma gradual redução da incerteza, cientes de que a erradicação completa desse risco não é viável. O México tem um papel fundamental nessa tarefa, devendo minimizar riscos ao concluir capítulos das negociações, suavizar o impacto das revisões anuais e proteger setores mais vulneráveis.

A terceira rodada de negociações formais terá início nesta terça-feira na Cidade do México, contando com a presença de Jamieson Greer de quarta a sexta-feira. A pauta abordará assuntos como alumínio, automóveis, segurança econômica, agricultura e questões trabalhistas. No entanto, a exigência de que 50% do valor de cada veículo seja originado nos Estados Unidos provavelmente não encontrará solução neste momento.

Além das discussões nas mesas de negociação, o México procura fortalecer laços com os Estados Unidos, onde legisladores e empresas estão ativamente pedindo melhorias no T-MEC que não afetem suas estruturas. Cada capítulo finalizado incorpora interesses que tornam politicamente mais difícil uma ruptura.

Internamente, o alinhamento é claro. Ebrard teve uma reunião recente com líderes do Conselho Coordenador Empresarial para alinhar a estratégia para as negociações, reativando um modelo da equipe anterior que apoiava o tratado original.

Parece que essas táticas estão dando frutos. Greer comentou que as conversas com o México estão progredindo de maneira satisfatória, descrevendo o governo mexicano como pragmático, especialmente quando comparado ao Canadá, que ainda não cedeu às demandas da Casa Branca. A comunicação da USTR sobre a visita foi surpreendentemente otimista, agradecendo pela contínua cooperação e fazendo menção a “muitos sucessos” recentes.

Outro momento simbólico marcante aconteceu quando a presidenta Claudia Sheinbaum participou da final da Copa do Mundo no MetLife Stadium, a convite de Donald Trump, acompanhada pelo primeiro-ministro canadense. Este foi o segundo encontro entre os líderes, ocorrendo um pouco antes da rodada de negociações, evidenciando a boa relação entre os países.

No próximo encontro, não se antecipa um acordo definitivo, mas sim avanços tangíveis na formalização de capítulos e na diminuição dos impactos das revisões anuais. O foco central será reduzir a incerteza, uma vez que a continuidade do tratado é crucial, mas a forma de lidar com essa incerteza pode significar bilhões para o México.

A incerteza permanecerá, refletindo o estilo de negociação de Trump, mas a estratégia de mitigá-la progressivamente, somando capítulos fechados e estabelecendo alianças, é a abordagem mais pragmática que o México pode adotar atualmente.