Após a captura em julho de 2024, Ismael ‘El Mayo’ Zambada, chefe do Cártel de Sinaloa, caminha para uma possível condenação à prisão perpétua. Ele foi sequestrado e levado aos Estados Unidos, onde enfrenta múltiplas acusações ligadas ao narcotráfico. Atualmente, sua defesa aguarda a decisão sobre um pedido para que ele cumpra a pena em um hospital penitenciário, em razão de sua saúde fragilizada.
A captura de Zambada ocorreu em um aeroporto perto de El Paso, Texas, e gerou polêmica. Logo após, o presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, pediu cautela na divulgação das informações. Ao mesmo tempo, Rosa Icela Rodríguez, secretária de Segurança, negou a participação do governo mexicano na operação. A defesa do acusado, chefiada por Frank Pérez, alegou que ele foi sequestrado por rivais e forçado a fazer um acordo com as autoridades dos EUA.
Desdobramentos pós-captura
Após ser detido, Zambada se declarou inocente das acusações de narcotráfico e lavagem de dinheiro. A disputa entre facções do Cártel de Sinaloa, em especial entre os ‘Chapitos’ e a ala de Zambada, intensificou-se, resultando em uma onda de violência em Sinaloa que permanece até o presente. Esse cenário gerou um número significativo de mortes e um impacto econômico desfavorável na região.
O depoimento de Ovidio Guzmán, filho de Joaquín ‘El Chapo’ Guzmán, que se tornou informante protegido, agravou a situação. Essa mudança acelerou os conflitos internos e resultou em um aumento da intervenção militar em setembro de 2024, na tentativa de controlar a violência.
Greves na Justiça e questões de saúde
Durante seu processo judicial, Zambada enfrentou sérios problemas de saúde, levando à necessidade de um ambiente mais apropriado para cumprir sua sentença. Além disso, ele experimentou obstáculos devido a adiamentos das audiências e discussões sobre a possível imposição da pena de morte, que foi descartada pelas autoridades americanas em agosto de 2025.
Como parte de seu acordo de culpabilidade, Zambada recebeu uma sentença de prisão perpétua e concordou em entregar cerca de 15 bilhões de dólares de suas fortunas, além de admitir a responsabilidade por seus crimes, o que resultou na redução das acusações contra ele. Ele reconheceu o impacto devastador que suas ações tiveram tanto no México quanto nos Estados Unidos.
Relações México-EUA sob tensão
Poucos dias antes da sentença, novas questões surgiram sobre a captura de Zambada. A aeronave utilizada na operação foi exposta publicamente pelo FBI, o que levantou dúvidas sobre a relação de colaboração entre os Estados Unidos e o México. Críticas foram direcionadas ao ex-presidente López Obrador, que não respondeu aos pedidos de esclarecimento dos EUA após a prisão.
Enquanto isso, Zambada almeja cumprir sua pena em condições que assegurem cuidados médicos adequados, mas as autoridades americanas temem que ele ainda consiga dirigir operações do cártel mesmo encarcerado. Com a audiência agendada para esta segunda-feira (20), o futuro do mafioso será decidido.
