A criação de um pacote global de financiamento para projetos de energia renovável está sendo considerada pelo governo mexicano. Esse pacote pode receber um suporte de mais de 4 bilhões de dólares do Banco Nacional de Obras e Serviços Públicos (Banobras), conforme ressaltado pelo diretor da entidade.
Jorge Alberto Mendoza, diretor da Banobras, explicou que o governo pretende lançar novas licitações para atrair parcerias com a Comissão Federal de Eletricidade (CFE). Isso permitirá que empresas privadas participem de projetos relacionados à energia renovável e ao armazenamento, especialmente considerando o crescente interesse demonstrado por investidores globais na primeira licitação realizada pela atual administração.
A Secretaria de Fazenda, em conjunto com a Banobras, está estudando a possibilidade de criar um veículo específico para financiar uma gama diversificada de projetos. Mendoza também indicou que conversas estão em andamento com investidores institucionais, incluindo fundos de pensão e bancos, para estruturar esse financiamento.
O executivo expressou otimismo em assegurar a maior parte do financiamento nos próximos 12 meses, prevendo uma parte significativa a ser concluída ainda antes de dezembro deste ano.
A administração de Claudia Sheinbaum tem se esforçado para acelerar projetos de infraestrutura em todo o país, embora alguns tenham enfrentado atrasos e uma base sólida de projetos ainda não esteja bem estabelecida.
Nos próximos seis meses, novas iniciativas de geração de eletricidade, petróleo, rodovias e portos deverão ser anunciadas, com base em novos modelos de investimento público-privado.
Mendoza mencionou que os desenvolvimentos realizados nos últimos 18 meses estarão em fase de implementação em breve, destacando a necessidade de garantir que os parceiros do governo tenham a capacidade financeira necessária para executar os projetos.
Foco na Eletricidade
O setor elétrico atrai cada vez mais investidores, especialmente após a recente revisão das regras de investimento, que promoveu uma maior abertura ao capital privado durante a gestão de Sheinbaum, contrastando com a postura da administração anterior.
Segundo Mendoza, a Banobras tem a capacidade de alocar até 80 bilhões de pesos (cerca de 4,6 bilhões de dólares) para financiar projetos, seja diretamente ou por meio do veículo financeiro em análise. Esse montante pretende apoiar aproximadamente trinta projetos recentemente adjudicados a 18 empresas, principalmente voltados para energia solar.
Um veículo de financiamento compartilhado poderá contribuir para a redução de custos e agilizar os processos, utilizando avaliações já realizadas pelo governo. Esse modelo facilitará a combinação de recursos públicos com financiamentos de bancos e investidores institucionais.
A Banobras está considerando oferecer financiamento a taxas mais baixas para empresas que comprem maquinário, equipamentos ou componentes fabricados no país, com o intuito de estimular o desenvolvimento das cadeias locais de suprimento.
Ademais, Mendoza confirmou a colaboração da instituição com o Fonadin em 18 projetos rodoviários, avaliados em 12 bilhões de pesos, com a expectativa de adjudicar 13 deles até o final do ano e os demais no primeiro semestre de 2027.
O crescente interesse por projetos que utilizam modelos públicos-privados em contraste com iniciativas puramente privadas no setor de energia foi ressaltado por Mendoza.
“As parcerias com o setor privado são vistas como uma maneira de minimizar riscos regulatórios e jurídicos ao colaborarem com o governo”, afirmou ele.
Além disso, o executivo observou que grandes fundos internacionais estão ignorando as preocupações levantadas pelas negociações do T-MEC com os Estados Unidos e os riscos geopolíticos que afetam as investimentos no México. Após um período de escassez de projetos durante a administração anterior, a abordagem renovada do governo em relação ao capital privado tem atraído o interesse de grandes investidores.
competitividade”, finalizou Mendoza.
